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A CONSTRUÇÃO DA MORAL

29/01/2009 Ana Elisabeth Santos de Oliveira Lima


1) A Teoria

A construção da moral – Regras / Valores / Símbolos / Mitos e Formação das ordens e regras

O desenvolvimento das crianças vai da ANOMIA (sem regra) pela HETERONOMIA (regras de fora) para a AUTONOMIA (regras construídas).

O papel da escola, então, é promover a liberdade e a autonomia. Mas como vai ocorrer se nas escolas normalmente, não é experimentada a democracia? Como então, os jovens podem aprender a criar regras?

“Que direito tem o adulto de determinar, por antecedência o comportamento futuro das novas gerações?” (Lauro de Oliveira Lima). Sugiro uma orientação geral para os pais compreenderem a criação das regras e alguns mitos que são comuns na sociedade. Vamos introduzir gradativamente os Mitos, como dar ordens e como compreender o pensamento moral das crianças.

Toda criança, desde muito cedo, precisa de pais coerentes e consistentes, principalmente, quando começa a ser disciplinado, ouvindo o “não” e recebendo limites. As regras devem ser claras e objetivas: agir de acordo com o que se ensina.

Educar não é superproteger, e sim ajudar a vencer frustrações, pois é importante para o crescimento dos indivíduos. Crianças criadas na “barra da saia” e sem oportunidades de resolver seus próprios problemas não desenvolvem uma boa auto-imagem.

Para o bom desenvolvimento das crianças é necessário que os limites sejam claros e firmes, caso contrário, ela fica INSEGURA (física e emocionalmente).

Pai, mãe ou outro responsável devem sempre entrar em acordo para não tirar a autoridade sobre os limites impostos pelo outro. Deve haver uma coerência lógica sobre o que deve ser obedecido. Cuidado para não criar limites gratuitos!

Educar é comunicar. Os pais precisam saber que o filho não é, totalmente, produto do que eles dizem ou fazem. Existe uma interação com o meio.

Educar é um processo dinâmico e criativo que modifica as crianças e os pais em todos os momentos da construção da moral.

As crianças aos 3/4/5/6/7 anos – querem saber o que os adultos querem. Acham que os adultos determinam as leis do mundo. A causalidade está ligada as suas vontades. As crianças aceitam as regras da autoridade e as idéias dos adultos são importantes para elas. MORAL DA SUBMISSÃO. Mal é tudo que infringe a regra.

Os pais que discutem na frente dos filhos e não cumprem ordens, dificilmente serão obedecidos.

Nunca ameace seu filho com a perda do afeto. Dizer a um filho que não vai mais gostar mais dele é, absolutamente, insuportável. Tudo que o filho mais quer é ser amado pelos pais e tudo que faz é para merecer este amor.

Os pais podem criar uma tabela com dez regras básicas para serem seguidas, em casa, isto trará organização e consciência para a criança de que o mundo já tem uma organização prévia que ela poderá seguir, não acontecendo a toda hora regras diferentes que podem causar conflitos. As crianças “agradecerão” o benefício que a organização trará aos seus desenvolvimentos intelectual e emocional.

“Compreender o desenvolvimento moral da crianças é então, compreender seu desenvolvimento lógico”. (Piaget, 1928).

Devemos salientar aos pais que a descentração das crianças (ver o ponto de vista do outro) influenciará o progresso cognitivo do sujeito.

Aos 10/11/12 anos aparece a noção igualitária da justiça que se impõe até prevalecer sobre a autoridade adulta. Neste período os adultos devem promover discussões sobre as regras para que os jovens aprendam a fazer e obedecer. Está nascendo a autonomia. MORAL DA COOPERAÇÃO OU AUTONOMIA.

Importância crescente das idéias de reciprocidade e de igualdade entre as crianças de 7 a 12 anos. Os adultos devem ficar atentos as sanções que podem ser:

SANÇÕES EXPIATÓRIAS - arbitrária (castigo corporal).

- coação com as regras de autoridade

- proporcionalidade entre sofrimento imposto e a gravidade

da falta cometida.

SANÇÕES DE RECIPROCIDADE: - motivadas. O elo de solidariedade foi rompido.

PUNIÇÃO: para os pequenos quando alguém foi maldoso tem que ser punido. Para os grandes tem que punir porque fez errado e só assim não repetira a falta. O castigo deve ser proporcional ao erro cometido.

Isto é a reversibilidade que só se inicia por volta dos 7/8 anos, por isso é tão importante saber como a criança está pensando sobre as regras que ela recebe. É importante então, trabalhar para que este sujeito saia do respeito unilateral para chegar a reciprocidade, condição necessária à construção da cooperação.

Pensando como Piaget, devemos nos perguntar, será que os adultos favorecem o desenvolvimento moral das crianças? Muitas vezes atrapalham e dificultam sua construção.

Vamos então ver os mitos em que os pais acreditam quanto estão criando seus filhos.

Próximos Tópicos:

2) Mitos

3) Principais Conflitos

4) Ordens - Comunicação

5) Como dar ordens



Comentários



anônimo

adorei este artigo me ajudou aumentando meus conhecimentos pois sou mãe e também pretendotrabalhar com crianças pois estou me graduando em pedagogia e gostaria muito de receber resposta


da mensagem que eu enviei para o e-mail de vocês


aline de oliveira venancio

a Telma Vinha, tem textos muito interessantes sobre a moralidade. você vai gostar, Aline


Nany do dê

Foi muito boa essa pesquiza,me ajudou intender oq eh necessario para educar uma criança,oq necessita regras e limites... obrigado bjüs


Nany do dê

Foi muito boa essa pesquiza,me ajudou intender oq eh necessario para educar uma criança,oq necessita regras e limites... obrigado bjüs


Nany do dê

Foi muito boa essa pesquiza,me ajudou intender oq eh necessario para educar uma criança,oq necessita regras e limites... obrigado bjüs


Rodrigo

Parei na frase em que diz que nas escolas não ocorrem democracia, devido a regras? Em que lugar da Constituição de qualquer país está escrito que em uma Democracia não existam REGRAS?


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A Chave do Tamanho foi a minha primeira escola. Quando entrei, eu nem sabia andar ainda e lá fiquei até os sete anos de idade. Morei em Salvador durante dois anos, 1989 – 1990, e, em 1991, voltei para fazer meu último ano. Foi a única escola cujas professoras estavam mais preocupadas com o caminho até as respostas do que com o resultado final. Foi lá que eu percebi, na verdade eu percebo isso melhor hoje, que o mais importante não é o resultado, mas como chegamos até ele, como construímos nosso ser e nosso pensar desenvolvendo a nossa inteligência, nossas múltiplas inteligências na verdade. Na Chave era onde as professoras não me desmotivavam ou ficavam de “cara feia” pelo meu excesso de curiosidade. Ao contrário, me motivavam a pensar em uma mesma coisa de várias maneiras diferentes. Lá também fiz grandes amizades que tenho até hoje, professoras inesquecíveis que foram como segunda mãe como Arilza, por exemplo. Hoje, sou músico e professor de música. E nessa função de educador procuro motivar meus alunos da mesma maneira que fui motivado. Obrigado professor Lauro e toda sua família pelo que fizeram por mim e por tantos outros que pela Chave do Tamanho passaram. Deixo um grande beijo e um forte abraço a todos!

Gabriel dos Santos Macedo
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